quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Saudade em borra - Susan Berchot



Depois do café, com direito à meditação e tudo, tomei um banho gelado pra espantar a tristeza, a preguiça, a moleza ... Depois de beber o liquido quente e amargo como se estivesse bebendo meu próprio sangue, depois de sentar no chão do banheiro e deixar a água correr sobre meu corpo, depois de me secar com uma toalha que parecia ser de espinhos e deitar sobre uma cama que parecia ter pregos... Depois de tanto desconforto resolvi ligar, peguei o telefone e esperei alguns segundos pra tomar coragem, comecei pelo 2, depois apertei o resto dos números bem rápido e aí chamava, chamava, chamava até a hora que eu pensei em desligar mas por fim você respondeu:
- Alô? - você disse com a voz mais doce do mundo, um pouco melhor do que meu café.
- Bom, eu não sei bem porque liguei, senti sua falta e quis ouvir sua voz talvez. - eu disse um pouco tonta
- Gosto quando sente minha falta e liga de supetão.
- Jura ? Então vou fazer isso mais vezes ...
- É, mas aí não vai ser mais uma supresa, não é ?
- Ah é, não tinha pensado nisso, é que minha vontade falar com você é tão grande (risos)
- Pois então, vamos tomar um café ? Que tal ?
- Eu j.. É, vamos, vamos sim. Onde ?
- Pode ser no La Madrid, daqui há 15 minutos ...
- Ok , me arrumo e saio daqui, nos encontramos lá. Beijos
- Tá, até logo , beijos.
Coloquei no gancho e sorri um sorriso doce como a voz que ouvia no telefone, isso deve ser contagiante, só não pode ser mais do que a saudade que tô sentindo (...)

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