Hoje eu estava realmente sozinha e até um pouco carente, resolvi então procurar algumas 'dicas para um amor tranquilo' e quem sabe encontrar a solução para minha solidão, as palavras pululavam em mim de forma inconstante e inquietante e eu tinha que me expressar de alguma maneira sólida e como sempre, fria. Mas ele telefonou bem na hora em que eu ia mais uma vez pegar aquela caneta e agenda velhas usadas somente para desabafos e começar a escrever algumas observações. Ele disse que não estava conseguindo pegar no sono e estranhou que eu tivesse atendido tão prontamente, isso às 3 da manhã, respondi que também não tinha sono, culpei um cafézinho que eu nem havia tomado, mesmo sabendo que a culpa era da falta que ele fazia em não estar ali para esquentar meus pés e para por seus braços sobre minha cintura enquanto dormíamos. Ele deve ter dito mais meia dúzias de palavras sarcásticas, como quem tinha ligado só para ver se eu sentia sua falta, mas meu lado atriz não deixou com que ele percebesse que eu certamente sentia, e muito. Fiz questão de não prolongar muito a conversa e disse que tinha que desligar pois já era tarde (o que anteriormente não me incomodaria e ele sabia disso), ele fez um barulho estranho com a boca, parecia não ter se conformado e ainda assim deu boa noite como um bom menino deve fazer e desligou. Rasguei-me inteira por dentro, estava sufocada de saudade e mais ainda de orgulho, das 'dicas para um amor tranquilo' apenas uma me serviu: dor de cutuvelo só tem cura quando há posse, presença... e eu ainda sentia tremenda dor.
Susan Berchot, "Dor de Cutuvelo"
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