segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Perro.

A sua presença é notada, quando você chega estrondando tudo, fazendo todo mundo rir, falando alto, rindo alto, as vezes até xingando alguma coisa, você é porra-loca. Sinto sua falta, fico tão mole quando você não está, tão densa, tão vazia, tão estou-entendiada, e você some, sempre. Aí de repente surge lá longe, e então eu cruzo os dedos e torço pra você me notar também, pra você falar alguma besteira pra mim, algo que me faça morrer de rir, tanto que me falte o ar ... A sua cara é tão engraçada, cara de cachorro sem dona, quer dizer ... cara de cachorro, cafageste . E você é muito, muito! Cafageste doce, sentimental, poeta, romântico, cavalheiro ... mas não deixa de ser um cafa, pelo contrário: torna-se mais cafa por ser todas essas outras coisas. Penso então, que é hora de ir embora, me despeço, me despedaço, dou tchau enquanto me derreto toda, quem sabe ano que vem a gente se reencontre, no mesmo lugar, no mesmo horário, permaneço com os dedos cruzados.


Susan Berchot.

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