Duas e quarenta e quatro, lá vem ele, com passos largos, longos, olhando num ponto fixo (que podia ser eu), com pressa de chegar a algum lugar. Eu ando tão só, tem tanta gente ao meu redor, mas eu precisava dele, de ir atrás dele, de encontrar com ele, dormir com ele, acordar com ele, tomar café com ele, eu não estaria só, nem um pouquinho só, nadica de nada. Duas e quarenta e cinco, ele some em meio às ruas, as pessoas, os relógios, as crianças, as casas, o café... sento e peço um capuccino pequeno, "- Não! Por favor, quero o grande mesmo." Estou precisando, penso... "O senhor do café é muito simpático!". Talvez fosse o meu número, me servisse, me preencher jamais, apenas enfeitaria o espaço que existe ao meu lado, um buraco negro complexo que só ele entende, só ele veste, só ele calça, é do tamanho dele. Três e dezessete, o capuccino acabou, pago a conta, me levanto e vou embora, sem pressa. Já são quatro horas.
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